Acervos digitais: desafios e perspectivas/Notas/sistematizacao geral

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Sistematização das discussões dos workshops Acervos Digitais: Desafios e Perspectivas, no Rio de Janeiro (2 de setembro) e em São Paulo (1 de outubro)[editar]

Tecnologia Direito Políticas institucionais Financiamento Padrões, documentação e metadados
Desafios
  • Utilização de grandes volumes de dados em sites e plataformas que não os comportam ou são muito onerosos.
  • Acervos audiovisuais: quantidade de informação gigantesca, e dificuldade do suporte. Consequente deslocamento do debate.
  • Interoperabilidade entre acervos de bibliotecas, museus e arquivos (podem ser extremamente distintos).
  • Integração de bancos de dados distintos, dentro de uma mesma instituição.
  • Utilização de equipamentos de digitalização externos à instituição: por vezes não calibrados, ou só trabalhando com formatos proprietários.
  • Utilização, pelas instituições, de software proprietário, na contramão de sua sobrevivência.
  • Software livre pode implicar altos custos de manutenção, que devem ser sopesados com as vantagens por ele oferecidas.
  • Tecnologias que permitam a acessibilidade dos acervos para inclusão de pessoas com deficiência.

Preservação digital

  • Preservação digital: não estamos preparados. Pode custar 9 vezes mais que a preservação analógica. É preciso conhecer os dados.
  • Para cada dólar investido em armazenamento, 5 dólares gastos para controlar o sistema (Gartner Group).
  • Modularidade dos sistemas é custosa. Migração é traumática.
  • Falta de pessoas com conhecimento técnico na área (necessidade de formação e estruturação de mercado de trabalho).
  • Material digital tem fragilidades de suporte (que é temporário), obsolescência de tecnologia, integridade dos arquivos.
  • “Alzheimer digital”: formatos tornam-se obsoletos.
  • A preservação analógica do material deve continuar a ser pensada, em conjunto com a preservação digital.
  • Ausência, no Brasil, de limitações e exceções aos direitos autorais para arquivos, bibliotecas e museus.
  • Discussão de tratado de limitações e exceções para bibliotecas e arquivos (OMPI): tema pouco sedutor para público em geral; assimetrias em termos de poder de lobby.
  • Direito de imagem. Problema permanente (muitas fotografias feitas há muito tempo sem autorização de direito de imagem).
  • Direitos de personalidade no caso de arquivos pessoais.
  • Em arquivos pessoais, podem existir diferentes níveis de acesso conforme a vontade dos autores, familiares e detentores de direitos.
  • Dificuldade de determinar se a obra está em domínio público ou não.
  • Obras órfãs e em domínio público: dificuldade de verificar a procedência de afirmações de detenção de direitos.
  • Insegurança quanto à legalidade de cópias para preservação.
  • Departamentos jurídicos pouco alinhados com a atividade e missão das instituições.
  • Comunidades indígenas e tradicionais têm diferentes concepções de memória, que geram diferentes regimes de acesso.
  • Para bibliotecas, empréstimo de livros, importação paralela e comutação bibliográfica são problemáticas.

Licenciamento

  • Licenças obtidas em momentos diferentes, e para finalidades diferentes.
  • Ausência de organização das informações sobre autoria e licenciamento no passado.
  • Materiais produzidos por pessoas jurídicas que não existem mais, ou que não têm informações sobre os direitos que supostamente administram.
  • Surgimento de novas formas de fruição (ex.: e-books) geram problemas relativos a usos antes entendidos como permitidos.
  • Obras órfãs, cujos detentores de direitos são desconhecidos.
  • Licenciamento do conteúdo criado por funcionários da própria instituição: necessidade de contratos específicos.
  • Nunca existirá segurança jurídica total. Carência normativa.
  • Anteprojeto de Lei de Direitos Autorais: risco de supervalorização de licenciamento em detrimento de limitações e exceções.

Acesso aberto

  • Como manter, com o detentor de direitos, o interesse em disponibilização, e resguardar seus direitos?
  • Agências de fomento muito tímidas quanto ao acesso aberto
  • Instituições, por razões diversas, impõem restrições ao uso de materiais em domínio público.
  • Restringir o debate de acesso ao debate jurídico é perder o foco (mas o legalismo pode servir ao acesso).
  • Falta de conhecimento de como aplicar as licenças livres.
  • Confusão entre “aberto” e “grátis”.
  • Fator de impacto e outras métricas e sistemas de avaliação (CAPES, agências de fomento, CNPq) direcionam/incentivam pesquisadores a publicarem em periódicos de acesso fechado.
  • Falta de arquivistas e especialistas em bases de dados nas equipes.
  • Falta de funcionários de TI / não criação de inteligência institucional no campo da tecnologia.
  • Fluxo grande de funcionários não permanentes, que participam de projetos de digitalização.
  • Falta de visão de gestão para criação de agendas de trabalho compartilhadas entre instituições.
  • Instituições maiores não investem na sua vocação de auxiliar as menores.
  • Parcerias com instituições maiores podem exigir requisitos que as menores não conseguem cumprir.
  • Cultura isolacionista e patrimonialista das instituições.
  • Na comunicação imediata (jornalismo): preocupação com produção, não com preservação.
  • Superprodução de informações: como qualificar, armazenar e guardar conteúdo criado sem preocupação com a memória (ex.: algumas produções no YouTube).
  • Decisão por fazer a digitalização fora da instituição pode comprometer a integridade do acervo.
  • Descontinuidade em projetos e desmantelamento de redes existentes.
  • Um determinado modelo de preservação de memória pode ser indesejável no caso de alguns acervos, como os de povos indígenas.
  • Devolução/acesso dos acervos às comunidades indígenas e tradicionais.
  • Pensar em como incluir colecionadores individuais nas discussões e nos programas.

Plataformas

  • Dificuldade de lidar, numa mesma plataforma, com públicos diversos (usuários comuns, historiadores, pesquisadores), que buscam informações diferentes sobre um mesmo material.
  • Pensar se a disponibilização dos conteúdos deve ser feita na plataforma da instituição, em uma externa já existente ou em uma nova.
  • Como estimular interação na plataforma, como a cultura do remix. Criar interesse nos materiais: simplesmente colocar online pode ser insignificante.
  • Problema de governança que afeta o desenvolvimento de políticas públicas de continuidade. Buscar a interoperabilidade entre três os campos: arquivos, bibliotecas e museus (edital “Preservação e acesso aos bens do patrimônio afro-brasileiro”, MinC, 2013).
  • Dificuldade de financiamento via editais de digitalização para instituições grandes.
  • Não priorização das atividades de digitalização quando da captação para atividades gerais da instituicão.
  • Acervos audiovisuais: custo elevado, não acessível.
  • Falta de cultura de compartilhamento de recursos no setor de patrimônio.
  • Para financiadores: projetos pequenos podem não ser sustentáveis / não valer a pena do ponto de vista de transformação.

Mecenato

  • Mecenato não prioriza “atividades invisíveis”, como a digitalização dos acervos.
  • Dentro de um projeto de digitalização, marketing cultural prioriza os hits, dentro dos próprios acervos. Quem vai financiar a digitalização de algo mais obscuro, como filmes de pornosoft de Nilo Machado nos anos 40? Ou algo sem charme, como a memória estatística do país?
  • Como exercer o papel de acompanhamento da integridade das informações?
  • Falta de sistematização de padrões, na área do audiovisual. O futuro torna-se nebuloso.
  • Na área de padrões, falta de diálogo faz com que sempre se reinvente a roda.
  • Acervos audiovisuais: Por que buscar a padronização se a força motriz da indústria é a inovação? Arquivistas sempre atrasados. Pensar em estratégias múltiplas.
  • Falta de visão e planejamento sobre o pós-digitalização: grandes desafios na inserção de metadados, atualização das bases de dados, padronização da nomenclatura dos arquivos.
Tecnologia Direito Políticas institucionais Financiamento Padrões, documentação e metadados
Soluções e

Oportunidades

Preservação digital

  • Ações de formação de conhecimento técnico e aproximação de profissionais da engenharia. Criação de laboratórios (ex.: Joinville).
  • Parceria com uma instituição como o Internet Archive pode oferecer garantia de segurança, (duplicam acervos, mantêm cópias de segurança), continuidade e atualização.
  • Espelhamento das informações pode garantir segurança.
  • Preservar o original para poder digitalizá-lo novamente posteriormente.
  • “Sustentabilidade na era digital”: a melhor qualidade nem sempre é necessária.
  • Planejamento realista, pela área de TI, dos recursos necessários a partir dos objetivos da instituição e da perspectiva do crescimento do acervo digital.
  • Preservação dos equipamentos de leitura de mídias e formatos.
  • Instrumentos em software livre/open source podem ter maior longevidade, porque não necessariamente dependem de uma instituição só.

Redes e colaboração tecnológica

  • Não enfatizar modelo tecnológico único para instituições, mas soluções de interoperabilidade (conectando pequenas redes) entre museus, arquivos e bibliotecas.
  • Criação de uma CDN (Content Distribution Network) federal.
  • Parceria com uma instituição como o Internet Archive pode oferecer garantia de segurança, (duplicam acervos, mantêm cópias de segurança), continuidade e atualização.
  • Colaboração entre instituições a partir do uso de software livre (ex: Plataforma Corisco, a partir do DSpace).
  • Utilização de equipamentos públicos, como scanneres, calibrados para materiais memoriais.
  • Utilização de hardware livre (ex.: DIY Bookscanner).
  • Projetos de itinerância de equipamentos de digitalização entre instituições (ex.: Wikimedia Argentina).
  • Resolver licenciamento no momento da entrada do material nos acervos.
  • Focar no presente para futuro, e trabalhar com uma política de licenças (não exclusivas) e para fins não comerciais.
  • Começar o trabalho a partir dos acervos com menos problemas de direitos autorais.
  • Inserir informações sobre licenciamento nos metadados.
  • Criar grupos de trabalho sobre direitos autorais nas redes institucionais.
  • Apoio ao tratado de limitações e exceções para bibliotecas e arquivos (OMPI). Apoio à Declaração de Lyon.
  • Avanço nas discussões do Anteprojeto de Lei de Direitos Autorais.
  • Cursos online (ex.: ABC del Derecho de Autor para Bibliotecarios de América Latina).

Acesso aberto

  • Estabelecer políticas institucionais consensuadas de acesso aberto, quanto aos materiais produzidos no âmbito de uma instituição.
  • Usuários devem poder interagir, consultar e submeter pedidos de licenciamento.
  • Criar de incentivos para autoarquivamento em acesso aberto.
  • Fomentar as discussões por meio de pesquisas, como, por exemplo, se os professores de cursos de pós-graduação priorizam a recomendação de materiais em acesso aberto.
  • Pensar a instituição como um todo, que pretende ter uma política de presença digital.
  • Reflexão sobre por que digitalizar, o que digitalizar e como gerar interesse.
  • Desenvolvimento de materiais de boas práticas, também para memória institucional (em mudanças de direção).
  • Desenvolvimento de políticas permanentes, em vez de projetos.
    • Conhecimento do acervo, para estabelecimento de políticas de longo prazo.
  • Trabalhar com níveis de digitalização: baixa resolução, para conhecimento dos acervos e mapeamento das necessidades, para depois alta resolução, a partir delas.
  • Utilização do Creative Commons para estimular interação, a cultura do remix e a interoperabilidade entre plataformas.
  • Investir em plataformas externas à instituição, como a Wikipedia (um dos sites mais acessados do mundo), para difusão das informações, melhoria de conteúdos já existentes e inserção de informações contextuais.
  • Diversificar a presença digital com plataformas externas.
  • Produção de ferramentas de buscas integradas entre acervos físicos e digitais (nato ou digitalizados).
  • Articular em torno de redes que garantam as boas práticas e o compartilhamento de experiências, como a Rede Memorial. Esse tipo de iniciativa em rede dá suporte para a criação da política pública nacional.
  • Articular projetos de digitalização em torno de políticas setoriais, em vez de iniciativas isoladas.
  • “Cabeça de rede”: polos de excelência garantindo a sustentabilidade das redes (do ponto de vista, por exemplo, de manutenção dos softwares).
  • Interligar acervos por critérios temáticos. Ex.: Edital da Cultura Afro-Brasileira.
  • Incentivar utilização dos acervos abertos pela comunidade de REA.
  • Vivências/estágios de alunos de graduação nas equipes de digitalização das instituições.
  • Divulgação na internet de partes digitalizadas do acervo pode contribuir para o aumento da visitação presencial. A experiência ao vivo não é substituída pela virtual.
  • Alocar recursos para criar inteligência institucional na área de TI com equipes internas. O TI também precisa saber, desde o início dos projetos, que dados devem ser armazenados e gerenciados.
  • Políticas públicas: Plano nacional de digitalização de acervos.
  • Buscar apoio de organizações que dão suporte, treinamento e equipamentos, como o IBICT, para bibliotecas.
  • Bancos de dados na nuvem, utilizando estrutura de instituições bem equipadas.
  • Buscar editais de redes, como o da Rede Memorial para kits de digitalização (equipamento, treinamento).
  • Estabelecimento de parcerias que aproveitem do trabalho de voluntários interessados e organizados, como é o caso da Wikimedia Foundation, e que podem trabalhar em traduções, correções e melhorias de metadados metadados e na definição de direitos autorais dos itens. Projeto “Wikipedians in Residence”.
  • Iniciativas conjuntas como editatonas no contexto da Wikimedia, ou o projeto Wikisource.
  • Instituições como o BID são mais propensas a financiar iniciativas em rede que individuais.
  • Pensar em parcerias institucionais a longo prazo, não em patrocínios pontuais.
  • Utilização de formatos/padrões abertos (ex.: .ogg, em vez de .mp3).*Prever, na contratação de profissionais, a entrega de arquivos com formatos, nomenclatura e metadados padronizados (contendo palavras-chave e indicação de autoria).
  • À política de licenciamento pode ser agregado o acompanhamento da utilizacão dos metadados.
  • Prever, na contratação de profissionais, a entrega de arquivos com formatos, nomenclatura e metadados padronizados (contendo palavras-chave e indicação de autoria).
  • Criação de metadados administrativos (informações sobre quem fez a digitalização).
  • Integrar as buscas analógica e digital (ferramentas como Discovery).