Estratégia Wikimedia Brasil 2026-2028
Um roteiro humano para o ecossistema do conhecimento livre
Resumo Executivo
A presente estratégia orienta a atuação da Wikimedia Brasil (WMB) para o próximo triênio de 2026 a 2028, alinhando-se às Teorias da Mudança de 2021 e de 2024 e incorporando os aprendizados de escuta ativa à comunidade em entrevistas, grupos focais e subcomitês conduzidos em 2025.
A Wikimedia Brasil orienta a urgência de:
- Sustentar as práticas colaborativas em prol do conhecimento livre
- Articular alianças estratégicas em defesa dos bens públicos digitais
- Promover a metodologia Wiki na internet em português
Esses três eixos, sintetizados nos verbos sustentar, articular e promover, propõem um mapeamento estratégico para a ação.
Metodologia
Este planejamento resultou de um processo participativo que integrou:
- Revisão crítica da Teoria da Mudança — 2021, do Relatório de Aprendizados de 2023-2025, do Relatório do Processo Estratégico e do cruzamento com o conteúdo da Teoria da Mudança de 2024;
- Entrevistas individuais semiestruturadas com editores e parceiros de diferentes perfis (acadêmicos, lideranças da Wikimedia, ativistas, veteranos e jovens editores e usuários, por exemplo);
- Grupos focais com a comunidade brasileira e uma série de discussões estratégicas;
- Reuniões dos subcomitês: sendo cinco subcomitês, cada um deles teve duas reuniões virtuais e, ainda, uma reunião presencial com 18 membros dos cinco subcomitês (e uma reunião virtual com os membros que não estiveram presentes na presencial);
- Análise de ambiente quantitativa e qualitativa, mapeando evolução de edições, registros, acessos e perfil regional da comunidade Lusófona e pesquisa sobre o perfil social dos wikimedistas em língua portuguesa.
O resultado foi sintetizado em três grandes eixos, que condensam intenções estratégicas, mantendo a ênfase na centralidade humana e no caráter público dos projetos colaborativos.
Panorama da Conjuntura sobre Conhecimento Livre e Ambiente Digital
Tecnologias são entidades embebidas pelos contextos histórico-sociais, culturais e políticos nas quais foram desenvolvidas. São agentes globais de ação política e econômica de tal modo que os rumos de um país estão atrelados à sua estratégia político-digital. Justamente por sua natureza contextual, social e política, os modelos organizacionais das tecnologias digitais, os tipos de infraestruturas sociotécnicas de informação e os processos regulatórios são também espaços de grandes disputas. Os modelos hegemônicos contemporâneos de produção e circulação de informação mudam a forma como a internet, e a própria informação, são usadas, criadas e consumidas.
O cenário atual, com redes digitais corporativas e sistemas algoritmizados, alimenta câmaras de eco e polarizações pouco abertas à diversidade. Esse modelo leva a epistemicídios, reforço de estruturas de poder e influências históricas que não representam a diversidade do conhecimento humano. Por outro lado, um ambiente digital democrático pode ser um espaço para liberdade de expressão e ampliação de futuros possíveis.
O paradigma de produção colaborativa e aberta de projetos como a Wiki é baseado em uma metodologia participativa, por meio de uma arquitetura em que pessoas podem criar, editar e compartilhar conhecimento e conteúdo de forma descentralizada, transparente, flexível, democrática e resiliente, adaptável às necessidades de usuários.
Esse modelo, baseado em construção coletiva do conhecimento, em código aberto e licenças livres, é centrado no conhecimento humano. A Wiki se diferencia do modelo proprietário, ao não manter o controle técnico e a propriedade intelectual pertencentes a uma corporação, trabalhar com códigos e dados abertos, possibilitar decisões de modo descentralizado e coletivo, permitir modificações pelos usuários, oferecendo pluralidade tecnológica.
Conjuntura Internacional
A conjuntura internacional para o conhecimento livre e o ambiente digital caracteriza-se por tensões, rumos e direitos em disputa. Políticas de abertura; Soberania Digital; Perspectivas do Sul Global; Ameaças à privacidade de dados e impactos nas organizações e agentes da produção do conhecimento; Respostas regulatórias; Questões ambientais; Desinformação; Inteligência Artificial; Bens Públicos Digitais. Além de interfaces do movimento Wikimedia com os contextos e aspectos mencionados.
O cenário internacional atual apresenta múltiplos interesses em disputa. Países da União Europeia têm mantido certo referencial global na regulação para estímulo à ciência aberta e dados FAIR (Encontrável, Acessível, Interoperável, Reutilizável), enquanto iniciativas multilaterais como a da UNESCO (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e a Cultura) defendem padrões mínimos de acesso aberto à informação científica, proteção à diversidade linguística digital e promoção de plataformas colaborativas globais. Por outro lado, há desde movimentos de maior liberalidade às empresas proprietárias e concentração de poder das chamadas Big Techs, quanto movimentos que enfatizam a soberania informacional e a regulação estatal do ambiente de inovação.
Países do Sul Global atuam neste contexto em favor da autonomia, do desenvolvimento tecnológico contextual e da participação em instâncias de governança da Internet. O colonialismo digital, que promove dependência de tecnologias proprietárias, muitas vezes monetizadas, compromete o acesso à tecnologia em contextos de desigualdade socioeconômica. Concomitantemente, a monopolização do desenvolvimento tecnológico por grandes empresas do Norte Global desconsidera as perspectivas, necessidades e saberes destas comunidades no desenvolvimento tecnológico. A exclusão desses países e de seus diferentes setores sociais, em instâncias da governança locais e globais da internet, compromete a construção democrática de uma internet que considere a diversidade de sujeitos, contextos e necessidades.
Em todos os casos, apresenta-se uma situação que coloca em questão uma função-chave da democracia, a liberdade de expressão, que se vê ameaçada por distintas formas, através de manifestações não transparentes, censuras diretas pelo poder do Estado, e da ausência de mecanismos que assegurem a participação equitativa e diversa de sujeitos, individuais e coletivos, na governança da internet num período muito instável das instituições democráticas.
Os serviços, infraestruturas e recursos desenvolvidos por empresas de tecnologia que dominam o mercado digital, as Big Techs, estabelecem um modelo de dependência, comprometendo a sustentabilidade, limitando a autonomia e a inovação. Frequentemente, a atuação dessas organizações também afeta a segurança e privacidade de dados dos usuários. Estes aspectos comprometem a soberania digital, ou seja, a capacidade de países, instituições e indivíduos de controlar e proteger seus dados e sistemas digitais, preservando sua autonomia e evitando a dependência de tecnologias proprietárias.
A dependência tecnológica de dispositivos, infraestruturas de dados, redes, linguagens de programação e softwares proprietários afeta diferentes instituições do conhecimento. Universidades, escolas, centros de ciência e saúde, por exemplo, se vulnerabilizam ao transferir a gestão e análise de dados críticos para tais empresas. Tal prática oportuniza diferentes tipos de risco, como vulnerabilidade comercial e política, decorrentes da possível exposição e apropriação indevida de dados e informações sensíveis.
Outro aspecto impactado por esses modelos é a sustentabilidade ambiental. Podemos exemplificar estes impactos com aspectos como o uso de tecnologias que empregam energias não renováveis e dependem de infraestruturas que comprometem ecossistemas ambientais. A infraestrutura de Data Centers e a intensificação de seu uso em função da maior adoção de inteligência artificial têm ampliado a emissão de carbono e o consumo de água doce para o seu resfriamento, colocando em risco as reservas de água potável.
No aspecto da saúde mental, as plataformas que se valem de mecanismos de retenção da atenção do usuário a partir de estratégias e técnicas que geram dependência de consumo de telas e que não adotam critérios de classificação indicativa têm comprometido a aprendizagem e a saúde de crianças e adolescentes. Outro risco adicional, apontado pela UNESCO, consiste na exposição de crianças ao risco de violência, abuso e exploração sexual online. Estes e outros aspectos aprofundam a necessidade de medidas de regulação.
Essa necessidade é atravessada, globalmente, por disputas em torno da revisão dos marcos regulatórios. Múltiplos fatores integram esse debate, como a tentativa de garantir mais ou menos direitos dos usuários, assegurar a liberdade de expressão, lidar com abusos em plataformas digitais, proteção de dados pessoais e responsabilidade diante de grandes riscos às formas democráticas e comunitárias de produção do conhecimento e acesso à informação de qualidade.
O Relatório de Riscos Globais do Fórum Econômico Mundial de 2024 destacou a desinformação como "o risco de curto prazo mais grave que o mundo enfrenta". Seus impactos são ainda mais profundos se considerarmos a tendência de formação de bolhas de desinformação pelo comportamento dos algoritmos, e a amplificação do alcance e da velocidade da disseminação da desinformação por certos usos da inteligência artificial (IA): inteligências autônomas que estão mudando rapidamente a dinâmica da construção, disponibilização e acesso à informação, graças ao surgimento de grandes modelos de linguagem (LLMs) a partir da coleta de dados cujo uso desestimula a participação humana na construção do conhecimento.
Estas ferramentas podem vir a legitimar teses sem comprovação e normalizar discriminações, promovendo ou ampliando o epistemicídio de grupos sub-representados. Assistimos ao avanço de um bloco antidemocrático que já permitiu a proliferação de discursos de ódio, falsificação de notícias e propagação de desinformação. Nessa situação complexa e multifacetada, mostra-se imprescindível oferecer informação robusta, com lastro e confiabilidade, para garantir a sua integridade.
Em contraponto ao anticientificismo, aos diversos negacionismos e anti-intelectualismo que minam a dinâmica democrática, o contexto atual também favorece o florescer de iniciativas e parcerias empenhadas em enfrentar a desinformação, entrelaçando regulação propositiva, reconhecimento de diversidade tecnológica, inclusão de saberes e promoção de integridade da informação. Abrem-se oportunidades para destravar o potencial emancipatório da tecnologia em feitos concretos de justiça social, pluralidade epistêmica e democracia comunicacional.
Neste contexto, é necessário tanto defender quanto extrapolar o modelo do Movimento Wikimedia, replicando princípios de projetos como a Wikipédia, que foi reconhecida como um Bem Público Digital. Entendemos que o fortalecimento e a expansão de um ecossistema informacional plural, por meio de um ambiente digital democrático e de liberdade de expressão, são necessários para fazer frente às ameaças à produção colaborativa de conhecimento e ao conhecimento livre.
Nesse sentido, a Wikimedia Foundation (WMF) percebeu o desafio de que, se a Wikipédia for percebida como indistinguível de conteúdo automatizado, pode perder sua legitimidade. "O movimento Wikimedia enfrenta tendências globais que afetarão fortemente a forma como trabalhamos: a diminuição da confiança na informação online, a ascensão da IA generativa e o aumento das ameaças à liberdade de expressão e ao compartilhamento de conhecimento". Agora, precisamos nos perguntar: como podemos potencializar a relevância do que o Movimento Wikimedia representa, nos organizar melhor para defender, sustentar e promover inovações para que nossas comunidades permaneçam saudáveis e nossos projetos permaneçam relevantes?
Ambiente Regulatório e Políticas Digitais no Brasil
O Brasil destaca-se como um dos maiores "espaços" digitais do mundo, com milhões de usuários e um uso intensivo de aplicativos e redes sociais. A média de tempo gasto em aplicativos e redes no país está entre as mais altas do planeta. Tendo que responder, ao mesmo tempo, aos desafios internacionais e às demandas domésticas por direitos digitais e inovação, o Brasil vive um momento de inflexão no ambiente regulatório digital, enfrentando suas próprias questões relacionadas à garantia da integridade da informação.
A Wikimedia Brasil considera que o avanço tecnológico não eliminou desafios históricos: assimetrias regionais de conectividade, altas taxas de analfabetismo funcional, ausência de educação midiática, baixo índice de leitura crítica, acesso desigual à informação de qualidade, distintas necessidades e contextos entre as regiões do país tornam persistentes as dificuldades estruturais de inclusão digital. A desigualdade regional e a exclusão de públicos vulneráveis continuam limitando o pleno acesso ao conhecimento livre e à participação colaborativa.
As iniciativas de regulamentação (em vigor e em desenvolvimento) trazem alguns avanços na proteção dos direitos digitais e liberdade de expressão, mas também desafios significativos. O ambiente regulatório do Brasil mostra-se dinâmico: avança em leis consagradas (Marco Civil da Internet, Lei Geral de Proteção de Dados, Lei de Acesso à Informação), ao mesmo tempo em que discute ativamente projetos de lei sobre inteligência artificial, inclusão digital, proteção de crianças online, o novo Plano Nacional de Educação, combate à desinformação eleitoral e regulação das plataformas (vide os 10 princípios do CGI.br para redes sociais). Por outro lado, houve retrocessos no debate de Projeto de Lei sobre as chamadas fake news, e as discussões sobre regulamentação apresentam riscos quando desconsideram diferentes contextos e, ao generalizar demais, acabam por criar incertezas jurídicas e ameaçar os modelos mais democráticos e colaborativos (como o modelo wiki e de redes federadas). É fundamental uma capacidade de articulação e incidência em defesa do ecossistema do conhecimento livre, reduzindo ameaças de extrema judicialização, pela diferenciação de casos de exceção.
Outro ponto relevante no cenário regulatório é a relação entre o poder público e a adoção de práticas de licenciamento livre. Há uma intenção crescente, em diferentes instâncias, de tornar materiais produzidos com recursos públicos acessíveis à sociedade, em consonância com o princípio de que o conhecimento financiado coletivamente deve retornar como bem público. No entanto, ainda faltam avanços concretos na Lei de Direitos Autorais, e políticas consistentes e instrumentos normativos que incentivem e orientem de forma clara o uso de licenças livres, bem como critérios técnicos padronizados para a correta classificação e disponibilização desses materiais. Isso dificulta a plena efetividade da utilização dos materiais e limita o potencial de reutilização, circulação e fortalecimento do ecossistema de recursos educacionais abertos e do conhecimento livre. Adicionalmente, o cenário nacional traz um histórico de descontinuidades nas políticas e programas que chegam a ser implementados, e substanciais disparidades nas condições locais de estados e municípios.
Um dos grandes desafios reside na sobreposição de cenários: as batalhas pela neutralidade da rede, pela privacidade na internet, pelo uso ético de inteligência artificial e licenciamento de conteúdos se travam simultaneamente em âmbitos municipais, nacionais e internacionais. Ao mesmo tempo em que endossa pactos globais para cooperação digital e avança nas discussões sobre governança da internet, o Brasil também realiza localmente debates legislativos sobre "zero rating" e pedágio da internet, chamado "fair share", que podem favorecer certas plataformas proprietárias e suas lógicas comerciais e restringir o alcance de iniciativas colaborativas ou subordinar o cidadão a termos de uso opacos.
Num momento em que as tecnologias transformaram o mundo em digital, é preciso preservar, consolidar e desenvolver a cultura digital livre. Isso exige atenção especial ao uso crítico da internet, orientado por princípios éticos e pelo protagonismo humano no conhecimento, fomentando práticas de combate à desinformação (como em saúde, emergência climática e política) e garantindo que as máquinas estejam a serviço do bem-estar e do desenvolvimento das capacidades humanas. Diante desse quadro de uma mudança de infraestrutura tecnológica e de infraestrutura jurídica (que, de certo modo, coloca em risco o legado construído pelo ecossistema livre e colaborativo do conhecimento e a defesa do acesso equitativo ao saber como bem público essencial à cidadania), a Wikimedia Brasil reelaborou seus direcionamentos em três novos eixos estratégicos.
Os Três Eixos Estratégicos: Sustentar, Articular e Promover
Diante dos desafios e oportunidades apresentados no panorama nacional e internacional, os novos eixos, que guiarão a ação e intencionalidade da Wikimedia Brasil, se integram numa temporalidade utópico-realista, ao buscarmos sustentar as experiências do passado imediato (de aprendizagens e preservação das conquistas do ciclo anterior), ao cocriarmos coletivamente caminhos para articular e reforçar redes plurais de parcerias e comunidades no atual ecossistema do conhecimento livre, ao integrarmos tecnologias e sujeitos coletivos para promover as potencialidades de outros futuros, buscando inovar nas formas de fazer a partir do próprio modelo da comunidade wikimedista. Deste modo, podemos fortalecer experiências, desenvolver infraestruturas e integrar a rede com outras soluções sociotécnicas sob o mesmo paradigma de produção colaborativa e aberta do conhecimento, baseado em uma arquitetura de participação, em que pessoas podem criar, editar e compartilhar conhecimento e conteúdo de forma descentralizada, transparente, flexível e democrática.
Sustentar as práticas colaborativas em prol do conhecimento livre

- Direcionamentos
- Fomentar programas e experiências que fortaleçam a resiliência das comunidades do conhecimento livre, promovendo autonomia, perenidade e valorização.
- Fornecer ferramentas, recursos e capacitação para facilitar a contribuição de conteúdo e a sustentabilidade de projetos.
- Implementar metodologias de escuta ativa e promoção da saúde comunitária.
- Consolidar práticas de governança comunitária que assegurem participação democrática, transparência e corresponsabilidade na tomada de decisões.
- Fortalecer a comunidade por meio da organização de espaços de formação e espaços de socialização.
- Apoiar o protagonismo de comunidades do Sul Global nas instâncias de governança da internet.
Articular alianças estratégicas em defesa dos bens públicos digitais

- Direcionamentos
- Identificar e mapear instituições, organizações, movimentos sociais, plataformas abertas e agentes de diversidade cultural, favorecendo o reconhecimento e engajamento coletivo com os bens públicos digitais.
- Estabelecer protocolos de interação, cooperação e apoio mútuo para criar resiliência coletiva e articulação entre o ecossistema do conhecimento livre, agências de conhecimento e projetos correlatos.
- Mediar parcerias direcionadas à equidade do conhecimento e à integridade da informação.
- Estabelecer projetos colaborativos transnacionais que conectem experiências e metodologias entre países do Sul Global, frente aos problemas em comum.
- Promover e apoiar eventos e campanhas em conjunto com redes e coletivos em defesa dos bens públicos digitais.
- Estabelecer alianças para a colaboração entre entidades, bem como a criação de mecanismos de governança federada.
Promover a metodologia wiki na internet em português

- Direcionamentos
- Mapear, documentar e adotar boas práticas sociais do comum digital.
- Fomentar metodologias de democratização, colaboração e transparência em campos como pesquisa, ciência aberta, dados abertos, infraestrutura digital e colaboração interdisciplinar.
- Apoiar ações de incidência junto a órgãos e agentes públicos e privados para adoção de protocolos e políticas de transparência e acesso aberto.
- Engajar comunidades locais e temáticas na atualização de conteúdos sobre cultura, ciência, educação e políticas públicas.
- Estabelecer protocolos de transparência digital cidadã e definir parâmetros de transparência segura e responsável.
- Promover letramento digital e conscientização em prol da integridade da informação.
- Extrapolar a metodologia da Wikimedia para outros contextos e práticas da produção e circulação de conhecimento.
Objetivos
- Facilitar o contato e assegurar a colaboração entre entidades parceiras sinérgicas e projetos afins em prol do conhecimento livre;
- Atuar com equidade em todo o território, considerando as desigualdades econômicas, sociais e tecnológicas do Brasil;
- Fomentar a formação autônoma e sustentável de grupos locais e construir uma vivência compartilhada da Wikimedia no país;
- Atuar na consolidação e institucionalização de parcerias com comunidades sub-representadas de países falantes de língua portuguesa, com afiliados do Sul Global, e recentrar a Wikimedia às realidades periféricas;
- Planejar e promover práticas e estratégias que assegurem a sustentabilidade econômica e comunitária do WMB a longo prazo como um eixo de coordenação e promoção autônoma de redes em prol do conhecimento livre;
- Contribuir para o aprimoramento de tecnologias livres e consolidar a infraestrutura digital de interesse público de acordo com realidades e necessidades regionais;
- Posicionar a Wikimedia no Brasil em relação às transformações digitais e na governança da internet em prol da integridade da informação, da justiça epistêmica e do conhecimento livre.
Princípios
- Centralidade da agência humana e comunitária – reconhecer pessoas e comunidades no centro da produção, curadoria e governança do conhecimento livre.
- Documentação crítica participativa – assegurar rigor, transparência, isonomia e acesso responsável em todos os processos e conteúdos.
- Justiça epistêmica e decolonialidade – valorizar, estimular e reconhecer o protagonismo de saberes plurais e combater o epistemicídio.
- Sustentabilidade programática e institucional – garantir continuidade, autonomia e resiliência das ações e estruturas dos movimentos do conhecimento livre.
- Solidariedade local, regional e Sul-Sul – articular redes diversas para troca de saberes, intercâmbios culturais, tecnologias e estratégias.
- Inovação contextual e aprendizagem contínua – cultivar e transformar metodologias e tecnologias livres para as realidades locais.
- Proteção e integridade do ecossistema – sustentar o conhecimento livre frente a ameaças que restrinjam sua livre circulação.
- Tempo compartilhado – promover espaços e experiências coletivas, acessíveis, inclusivas e significativas para a saúde comunitária.
Considerações Finais
A dialética entre as duas Teorias da Mudança (2021 e 2024) orienta nossos três novos eixos de ação. Em síntese, o modelo wiki – como horizonte democrático, transparente, participativo e plural – está sob pressão de mudanças tecnológicas, jurídicas e políticas, numa conjuntura internacional e nacional complexa. Ao mesmo tempo, está chamado a sustentar essa arquitetura participativa, afirmando comunidades de práticas colaborativas a serviço do conhecimento livre, a se articular prospectando alianças e a expandir sua metodologia, abrindo caminho para um futuro onde a produção, o acesso e a regulação do conhecimento livre sejam praticados de forma radicalmente aberta, inovadora e emancipadora. Sustentar, articular e promover são, assim, dimensões inseparáveis da resposta estratégica a esse novo mundo digital, plural e em disputa.